29/08 - Dia Nacional de Combate ao Fumo



A ACAPTI aproveita para lembrar do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado no dia 29. Sua criação, em 1986, foi uma das primeiras políticas públicas contra o tabagismo. Depois dela, uma sequência de medidas de saúde pública reduziu em 46% o percentual de fumantes no período entre 1989 e 2010. Este dia tem como objetivo sensibilizar os brasileiros quanto aos diversos danos causados pelo tabaco. Danos à saúde, sociais, econômicos e ambientais. É um dia de reflexão e motivação para cessar o tabagismo.


Contudo, o número de tabagistas continua significativo entre nós, e a pressão da indústria do tabaco vem tomando proporções maiores. Por isso, o tema escolhido para reflexão é o cigarro eletrônico, também chamado de “Vape”. O cigarro eletrônico, embora ilegal no Brasil, está atraindo as pessoas desavisadas, especialmente os jovens. A aparência moderna, o gosto atrativo, a ausência de cheiro desagradável são aspectos que vendem esse produto, que se tornou uma nova e perigosa moda do momento. Os cigarros eletrônicos são dispositivos que exalam aerossóis contendo nicotina, entre outras substâncias. Existem pessoas que acreditam que esses aparelhos são “saudáveis”, imaginando que não exalam substâncias tóxicas, e que ajudam as pessoas a deixarem de usar cigarros comuns. Essa ideia, propagada pela indústria do tabaco, está atraindo em especial os jovens, além de pressionar governos a legalizarem a comercialização dos cigarros eletrônicos.


Entretanto, as pesquisas demonstram que esses produtos não trazem nenhuma vantagem em relação aos cigarros comuns. Eles contêm sal nicotina (ácido benzóico associado à nicotina) que induzem à dependência química de forma mais rápida. Desta forma aumenta a chance do usuário desenvolver trombose, AVC, hipertensão, infarto do miocárdio, entre outros problemas de saúde. Além disso, os “Vapes” contêm mais de 2000 substâncias químicas, incluindo cancerígenos comprovados.


NÃO há comprovação de que os cigarros eletrônicos auxiliem na cessação do tabagismo, como alguns acreditam. Os usuários continuam tabagistas e utilizando o cigarro comum. Estudos demonstram que o consumo de cigarros eletrônicos aumenta em cerca de 4 vezes a chance do usuário experimentar cigarros comuns, além de aumentar a recaída ao tabagismo convencional entre ex-fumantes. Portanto, esses dispositivos não apresentam nenhum benefício, nem mesmo de redução de danos.


Em 2009, a ANVISA proibiu a venda e a propaganda de cigarros eletrônicos, mas a sua comercialização é intensa pela internet. A dificuldade de regulação tem favorecido a publicidade desses produtos nesse meio, atraindo jovens, que possuem elevada taxa de experimentação. Os dispositivos, de aparência variada, muitas vezes não são identificados pelos pais, podem ser confundidos com material escolar. Pais e professores devem ficar atentos.


Portanto, as autoridades de saúde devem ficar em alerta, porque os cigarros eletrônicos podem reverter décadas de esforços de controle do tabaco no país. A atração dos jovens e a renovação do “glamour” do tabagismo ameaçam a saúde pública, com prejuízos incalculáveis à sociedade. É imprescindível manter a imagem do tabaco, em todas as suas formas, como droga prejudicial à saúde e à sociedade.


Dra. Leila Jhon Steidle