31 de Maio – Dia Mundial Sem Tabaco e Sem Nicotina
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O Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado anualmente em 31 de maio por iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), traz em 2026 um alerta crucial: a necessidade de expor as estratégias da indústria do tabaco e da nicotina para atrair crianças e adolescentes. Sob o tema “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, a campanha destaca como o setor se reinventa para burlar medidas de controle e recrutar uma nova geração de dependentes.
Neste contexto, a Associação Catarinense de Pneumologia e Tisiologia (ACAPTI) reafirma seu compromisso histórico com a promoção da saúde respiratória, a prevenção do tabagismo e a defesa de políticas públicas voltadas ao controle do tabaco e da nicotina. A entidade destaca a importância da conscientização da população sobre os riscos dos produtos derivados de nicotina, especialmente entre crianças, adolescentes e adultos jovens.
A data também marca os 30 anos da Lei Federal nº 9.294/1996, conhecida como Lei Antifumo, um dos mais importantes marcos da saúde pública brasileira. Ao estabelecer restrições à propaganda e ao uso de produtos fumígenos em ambientes coletivos, a legislação contribuiu decisivamente para a redução do tabagismo no país e para a proteção da população contra a exposição à fumaça do tabaco. Ao longo dessas três décadas, o Brasil tornou-se referência internacional em políticas de controle do tabaco, combinando medidas legislativas, campanhas educativas e ampliação do tratamento para cessação do tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS).
Apesar dos avanços históricos, o cenário atual é preocupante. O tabagismo continua sendo uma das principais causas evitáveis de adoecimento e morte no mundo, responsável por mais de 8 milhões de óbitos anuais. Entre os jovens brasileiros, os dados são alarmantes. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) demonstra crescimento importante da experimentação e do uso regular de produtos derivados de nicotina entre adolescentes.
Os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), conhecidos como cigarros eletrônicos ou vapes, representam hoje a principal face dessa nova ameaça. Embora sua comercialização seja proibida no Brasil desde 2009, esses produtos continuam sendo facilmente adquiridos, especialmente pela internet e pelas redes sociais. A indústria utiliza estratégias muito atrativas, como sabores adocicados, embalagens coloridas, design moderno e forte divulgação digital, criando uma falsa percepção de segurança e modernidade.
A edição mais recente da pesquisa PeNSE revelou que aproximadamente um em cada nove adolescentes brasileiros utiliza cigarros eletrônicos. O número de jovens que usam vape já supera amplamente o de fumantes de cigarros convencionais nessa faixa etária. Além disso, estudos científicos demonstram que adolescentes usuários de cigarros eletrônicos apresentam risco até quatro vezes maior de iniciar o consumo de cigarros tradicionais quando comparados aos não usuários.
Segundo a ACAPTI, os cigarros eletrônicos representam uma “armadilha” para os jovens, pois associam aparência inofensiva, sabores atrativos e forte apelo social a produtos altamente viciantes. Esses dispositivos contêm elevada concentração de nicotina e milhares de substâncias químicas potencialmente tóxicas, muitas delas cancerígenas. A exposição precoce à nicotina compromete o desenvolvimento cerebral de crianças e adolescentes, favorecendo dependência, ansiedade, alterações de atenção e dificuldades cognitivas.
Outro motivo de preocupação é a crescente popularização dos chamados “snus” e “nicotine pouches” — tabaco moído ou sachês contendo nicotina sintética, utilizados entre a gengiva e o lábio. Comercializados como alternativas “limpas” e discretas, esses produtos apresentam elevado potencial de dependência e importantes riscos à saúde. Frequentemente alcalinizados para facilitar a absorção de altas doses de nicotina, podem causar lesões orais, alterações cardiovasculares e impactos negativos no desenvolvimento cerebral dos jovens.
A Associação Catarinense de Pneumologia e Tisiologia alerta que essas novas estratégias da indústria da nicotina ameaçam os avanços conquistados nas últimas décadas no controle do tabagismo. Por isso, a entidade reforça a necessidade de ampliar ações de prevenção, educação, fiscalização e conscientização, especialmente voltadas à proteção das novas gerações.
Neste 31 de maio, a ACAPTI convida toda a sociedade a refletir sobre os impactos do tabaco e da nicotina na saúde pública e a renovar o compromisso coletivo com a vida, a ciência e a proteção dos jovens.
Valorize a vida. Viva sem tabaco. Viva sem nicotina.
Texto elaborado por Leila John Marques Steidle,
Referencias: 1- Nota Técnica do INCA para o dia mundial sem Tabaco.



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