Dia Nacional de Combate ao Fumo 2026 - Atividade Física e Saúde: Treinar Não Combina com Fumar
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Tabagismo como Doença Crônica e Desafio Coletivo
Em agosto, a Associação Catarinense de Pneumologia e Tisiologia (ACAPTI) destaca a extrema importância do Dia Nacional de Combate ao Fumo (DNCF). Instituído pela Lei Federal nº 7.488/1986, a data é celebrada anualmente em 29 de agosto e, em 2026, chega à sua 40ª edição. Desde a sua criação, o DNCF cumpre o propósito fundamental de sensibilizar e mobilizar a população, gestores de saúde e a comunidade médica sobre os impactos sanitários, sociais, políticos, econômicos e ambientais gerados pelo tabaco. O tabagismo é classificado cientificamente como uma doença crônica decorrente da dependência de nicotina, caracterizando-se como o principal fator de risco evitável para o desenvolvimento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), com destaque para neoplasias, patologias cardiovasculares e distúrbios respiratórios obstrutivos.
Globalmente, o consumo de tabaco e seus derivados causa cerca de 8 milhões de mortes anuais. Desse total, aproximadamente 1,3 milhão de óbitos ocorrem entre fumantes passivos — indivíduos que não fumam, mas sofrem exposição regular à fumaça do tabaco e correm riscos acentuados de desenvolver cardiopatias, acidentes vasculares cerebrais e câncer de pulmão. No contexto brasileiro, o impacto epidemiológico é severo: o tabaco é responsável por mais de 174 mil mortes por ano, o que equivale a uma média de 477 óbitos diários. Além da perda irreparável de vidas, a dependência gera um custo econômico superior a R$ 153 bilhões anuais ao erário público e à sociedade, destinados ao tratamento de doenças tabaco-relacionadas.
Embora o Brasil seja uma referência histórica na redução do tabagismo, o avanço recente das taxas de prevalência exige vigilância contínua. Segundo os achados do inquérito Vigitel 2024, a prevalência de adultos fumantes no conjunto das capitais brasileiras e Distrito Federal manteve-se em patamares preocupantes de 11,5% de forma consolidada, apresentando índice de 13,9% entre o sexo masculino e de 9,5% no sexo feminino.
Esporte e Tabaco: A Incompatibilidade Fisiológica
Em 2026, a campanha nacional traz o tema central “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”, buscando evidenciar que o condicionamento físico, o desempenho esportivo e o bem-estar biológico são absolutamente incompatíveis com a nicotina e outros compostos tóxicos do tabaco. O tabagismo compromete de maneira direta o rendimento físico por meio de múltiplos mecanismos fisiopatológicos bem documentados:
Vasoconstrição Periférica: A presença de nicotina estimula o sistema nervoso simpático, provocando a contração imediata dos vasos sanguíneos. Esse estreitamento reduz drasticamente o fluxo de sangue oxigenado direcionado aos músculos ativos e órgãos vitais durante o esforço físico.
Saturação de Monóxido de Carbono: O monóxido de carbono (CO) inalado na fumaça possui afinidade com a hemoglobina muito superior à do oxigênio. Como consequência, o CO se liga preferencialmente aos glóbulos vermelhos, diminuindo drasticamente a capacidade do sangue de transportar oxigênio, gerando hipóxia tecidual durante o esforço.
Comprometimento Pulmonar: A fumaça do tabaco causa inflamação direta nas vias aéreas superiores e inferiores, destruindo os cílios bronquiais e reduzindo a elasticidade alveolar. Isso dificulta a troca gasosa e limita a ventilação respiratória máxima.
Sobrecarga Cardiovascular e Energética: O organismo do fumante precisa despender uma quantidade significativamente maior de energia e esforço cardíaco para realizar uma atividade física rotineira que, para um indivíduo não fumante, exigiria um nível muito menor de esforço metabólico.
Como consequência direta dessa sobrecarga, indivíduos fumantes apresentam fadiga precoce, capacidade aeróbica reduzida, recuperação mais lenta após treinos intensos e maior risco de lesões musculoesqueléticas e episódios coronarianos agudos durante atividades físicas.
Exercício Físico como Aliado Estratégico na Cessação
Se por um lado o tabaco sabota a atividade esportiva, por outro a prática de exercícios físicos se consolida como uma ferramenta complementar extraordinária no apoio a quem decide parar de fumar. Exercícios aeróbicos (como caminhada, corrida, ciclismo ou natação) estimulam a liberação de neurotransmissores endógenos, como as endorfinas, que promovem sensação de bem-estar, prazer e relaxamento. Essa liberação hormonal atua diretamente na atenuação dos sintomas psicológicos e físicos da síndrome de abstinência da nicotina, reduzindo significativamente a ansiedade, irritabilidade, inquietação, mau humor e nervosismo.
Além disso, a atividade física é uma grande aliada no controle do sintoma mais desafiador da cessação: a fissura (a vontade intensa de fumar). Estudos científicos demonstram que curtos períodos de esforço moderado são capazes de desviar o foco da vontade de fumar, reduzindo a intensidade do desejo. Essa atenuação estende-se por até 50 minutos após o término da sessão de exercícios. Outro benefício essencial é a mitigação do ganho ponderal (peso) — um fator frequente de recaída —, uma vez que a prática esportiva eleva o gasto calórico e estimula o metabolismo saudável.
O Alerta Urgente sobre Cigarros Eletrônicos (DEFs)
A ACAPTI reforça um alerta epidemiológico crítico sobre os perigos dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), popularmente conhecidos como vapes, pods ou cigarros eletrônicos. Existe uma falsa percepção mercadológica disseminada, sobretudo entre adolescentes e jovens adultos, de que estes aparelhos representam uma alternativa segura ou que não prejudicam o condicionamento físico. Trata-se de um equívoco perigoso: os aerossóis gerados pelos DEFs contêm nicotina em alta concentração e substâncias químicas altamente irritantes, que reduzem a complacência pulmonar, elevam de forma aguda a frequência cardíaca e a pressão arterial e estão associados a lesões pulmonares severas (como a EVALI) e distúrbios de ansiedade.
A iniciação precoce ao tabaco no Brasil apresenta indicadores preocupantes. Dados do inquérito escolar PeNSE 2024 revelam que 29,6% dos estudantes de 13 a 17 anos relataram já ter experimentado cigarro alguma vez na vida. Isso significa aproximadamente 3 em cada 10 adolescentes. O percentual de experimentação é sensivelmente maior em ambiente de escolas públicas (19,8%) se comparado ao de escolas privadas (11,5%). Combater de maneira enérgica as estratégias agressivas de marketing da indústria do tabaco — que historicamente vincula produtos com nicotina ao sucesso, estilo de vida ativo e bem-estar — é um dever das associações médicas e da sociedade civil.
“REDUZIR A PREVALÊNCIA DO TABAGISMO É RESPONSABILIDADE DE TODOS. PRATIQUE ATIVIDADE FÍSICA SOB ORIENTAÇÃO E ADOTE HÁBITOS SAUDÁVEIS: TREINAR NÃO COMBINA COM FUMAR!”
Texto Profa. Leila John Marques Steidle
Referências: 1-Nota Técnica do INCA para o Dia Nacional de Combate ao Fumo 2026



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